Enquanto todos os seres criados reconheceram a lealdade pelo
amor, houve perfeita harmonia por todo o Universo de Deus. Era a
alegria da hoste celestial cumprir o propósito do Criador. Deleitavamse
em refletir a Sua glória, e patentear o Seu louvor. E enquanto foi
supremo o amor para com Deus, o amor de uns para com outros
foi cheio de confiança e abnegado. Nenhuma nota discordante havia
para deslustrar as harmonias celestiais. Sobreveio, porém, uma
mudança neste estado de felicidade. Houve um ser que perverteu a
liberdade que Deus concedera a Suas criaturas. O pecado originouse
com aquele que, abaixo de Cristo, fora o mais honrado por Deus,
e o mais elevado em poder e glória entre os habitantes do Céu. Lúcifer,
“filho da alva”, era o primeiro dos querubins cobridores, santo,
incontaminado. Permanecia na presença do grande Criador, e os
incessantes raios de glória que cercavam o eterno Deus, repousavam
sobre ele. …
Pouco a pouco Lúcifer veio a condescender com o desejo de
exaltação própria. … Se bem que toda a sua glória proviesse de
Deus, este poderoso anjo veio a considerá-la como pertencente a si
próprio. Não contente com sua posição, embora fosse mais honrado
do que a hoste celestial, arriscou-se a cobiçar a homenagem devida
unicamente ao Criador. Em vez de procurar fazer com que Deus
fosse o alvo supremo das afeições e fidelidade de todos os seres
criados, consistiu o seu esforço em obter para si o serviço e lealdade
deles. E, cobiçando a glória que o infinito Pai conferira a Seu Filho,
este príncipe dos anjos aspirou ao poder que era a prerrogativa de
Cristo apenas. …
Disputar a supremacia do Filho de Deus, desafiando assim a
sabedoria e amor do Criador, tornara-se o propósito desse príncipe
dos anjos. Para tal objetivo estava ele a ponto de aplicar as energias
daquela mente superior, que, abaixo da de Cristo, era a primeira den-
tre os exércitos de Deus. Mas Aquele que queria livres as vontades
de todas as Suas criaturas, a ninguém deixou desprevenido quanto
ao sofisma desconcertante por meio do qual a rebelião procuraria
justificar-se. Antes que se iniciasse a grande luta, todos deveriam
ter uma apresentação clara a respeito da vontade dAquele cuja sabedoria
e bondade eram a fonte de toda a sua alegria.