Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura

O pecado de Lúcifer é inexplicável. Ele foi desleal a Deus. Seus
lamentos e reclamações despertaram simpatia entre as hostes angélicas,
e muitos assumiram a mesma posição de Satanás [Lúcifer].
Como quebrou o Senhor a força dessas acusações?
Devido ao poder acusador de Satanás, não foi plano de Deus
tratá-lo como ele merecia. O tentador jogaria toda a culpa de suas
atitudes sobre outros que estavam abaixo dele. Daria a impressão de
que, se pudesse agir em conformidade com seu próprio julgamento,
ter-se-ia evitado toda essa demonstração de rebelião.
O poder condenador de Satanás levá-lo-ia a estabelecer uma
teoria de justiça incompatível com a misericórdia. Ele alega agir
como a voz e o poder de Deus; alega que suas decisões são justas,
puras e isentas de falha. Dessa maneira assume ele a sua posição no
tribunal e declara serem infalíveis os seus conselhos. Aqui entra a
sua justiça sem misericórdia, uma contrafação da justiça, aborrecível
a Deus.
Mas como saberá o Universo que Lúcifer não é um líder confiável
e justo? Aos seus olhos, ele parece correto. Não podem ver, como
Deus vê, sob a aparência exterior. Não podem conhecer como Deus
conhece. Agir para desmascará-lo e tornar claro à hoste angélica que
o julgamento dele não era o julgamento de Deus, que ele criara seus
próprios padrões e se expusera à justa indignação de Deus, criaria
um estado de coisas que devia ser evitado.
Foi devido ao poder enganador de Satanás que muitos anjos se
tornaram desleais a Deus. Deus era fiel e verdadeiro. Satanás estava
errado e se convenceu de que estava errado. Agora devia escolher:
ou colocar-se ao lado do Senhor pela submissão, ou mentir para
defender-se. Mediante sofisma e fraude pareceu obter vantagem
mas isso foi por pouco tempo. Deus não pode mentir; Ele Se move
em linha reta. Lúcifer podia dizer a verdade quando esta lhe servia
melhor aos propósitos, mas ele se movia em linha sinuosa para evitar
a humilhação e a derrota. …
Satanás não poderia ser apresentado ao Universo imediatamente
em seu verdadeiro caráter. Dever-se-ia permitir que continuasse sua
trajetória tortuosa até que ele se revelasse como acusador, enganador,
mentiroso e homicida. Nesse último ato, Satanás desarraigou-se da
afeição do Universo leal. Na morte do Filho de Deus, o enganador
foi desmascarado.